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Por pesquisa irregular em Contagem, Ministério Público pede multa de R$ 100 mil ao Instituto DataTempo/CP2




Os erros e contradições da última pesquisa de intenção de votos para prefeito de Contagem, realizada pelo DataTempo/CP2, e divulgada no jornal O Tempo, fizeram o Ministério Público pedir a suspensão da divulgação da pesquisa — mais veiculada pelo candidato Carlin Moura (PCdoB) — e a aplicação de multa ao instituto. O pedido foi encaminhado ao juiz da 93ª Zona Eleitoral de Contagem, Haroldo Dutra Dias, na última sexta-feira (30).   

São grosseiras as irregularidades e contradições entre os documentos apresentados pelo DataTempo/CP2, deixando suspeita de manipulação. Os erros mais graves são justamente nas páginas que apuram as intenções de votos.

Na avaliação dos votos espontâneos, o DataTempo/CP2 registrou que foram realizadas 800 entrevistas. Constata-se o primeiro erro na soma simples dos entrevistados, que totalizaram 799. Na planilha enviada pelo instituto, entretanto, há um número ainda menor de entrevistados, apenas 770. Um “sumiço” de 29 entrevistas.

Os erros seguem por toda a pesquisa.

Há discrepância entre os números do relatório da pesquisa, e as planilhas dos entrevistadores.

Em um das páginas do relatório, do quantitativo de entrevistados por regional da cidade, a região do Eldorado, por exemplo, registra 165 entrevistas. Já na planilha dos entrevistados constam que foram feitas 171.

Da mesma forma a Regional Sede. A primeira planilha registra 141 entrevistas, a segunda marca 137.

As incorreções entre o relatório e as planilhas dos entrevistadores seguem em todas as regionais.
A apuração foi feita pelo setor jurídico da Coligação Contagem para o Futuro, bem como a representação contra o instituto.

Em seu despacho, a Promotora de Justiça, Betânia Cabral de Pina, registra que os dados dos relatórios do instituto estão “imprecisos” e “contraditórios”. “Seu resultado é questionável e sua divulgação leva ao eleitor informação inverídica sobre intenção de votos”.  

Sobre a suspensão da divulgação da pesquisa, a promotora explica que a finalidade é “impedir que resultado de pesquisa que não demonstra a real intenção de voto chegue ao eleitor e influencie o resultado das eleições”.  

A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG), com o protocolo MG-06905/2016.


Abaixo, a representação do Ministério Público contra o Instituto DataTempo/CP2







Comentários

  1. Mas di cego que não enxerga essa manipulação, Carlin e o candidato com grande refeição e consta bem a frente dos principais candidatos? Outra coisa esquisita e o não apareimento do nome do vereador e candidato a prefeito RODINEI, muito esquisito.

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    Respostas
    1. Institutos de pesquisa também tiveram a credibilidade abalada nessa eleição.

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